sábado, 14 de julho de 2018

Então te vejo






Então  te vejo e assim nos seus,
repouso o meu olhar cansado...
mergulho a alma em desalinho
no seu olhar desalinhado.

Serei capaz de todo dia,
Percorrer cega este caminho...
Olhar tua imagem, aqui fixada.
E registrar o meu destino.

Vou ver-te um dia novamente?
Não sei, meus olhos lacrimejam.
Mas serei tua eternamente.
Mesmo que os ventos desalentem,
Mesmo que os dias se acinzentem
Numa penumbra malfazeja.

Como deixar-te? És minha vida.
Como implorar para que venhas?
Mudar o curso do oceano,
mover a terra, o infinito,
parar o rio e os vendavais,
conter o fluxo do tempo,
não mudaria esta desdita.

E o que fazer co’a dor, então?
Só disfarçar, dissimular...
Viver a vida em sorrisos
em  mascaradas alegrias
de contentar-se em ser fantoche
desse destino caprichoso,
que dá amor em abundância,
mas tira-me a felicidade
de poder tê-lo nos meus dias.

(Vera Lúcia, 13/07/2018, sexta feira)

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