segunda-feira, 17 de abril de 2017

Em imagem




A imagem me chama e eu mergulho...
Há um universo contido ali...
Eu vejo os olhos, através dos óculos.
E eu mergulho neles... sem fim... sem ar...
A imagem me veio de presente.
Há um universo de sentidos nela.
E outro universo evocado...
A imagem me veio de surpresa...
Deliciosa surpresa!
Pode-se morrer por falta de amor.
Mas o excesso também mata.
Sofro de excessos...
Volto à imagem e me imagino ali...
Mergulho em retornos inevitáveis...
“Vou-me embora pra Pasárgada”...
Não! Continuo com Menphis...
E os seus mistérios,
E os seus segredos,
Os seus oásis mais procurados.
As suas sensações inesquecíveis.
E as areias do tempo transcorrendo sem fim.
Eu só tenho a imagem... volto a ela...
Os olhos veem através de mim...
E eu vejo muito além dos olhos...
Em tempos passados,
em tempos vindouros,
em dias sem fim...
mergulhada no que a imagem não revela.
(Vera Lúcia, 16/04/2017)

A Palavra Poética


(Doutor Getúlio Targino Lima)

A palavra poética
pontifica, 
prioritariamente,
como símbolo
de si mesma,
de seu eu,
sua substância viva,
embora
traduza
os contornos externos
de algum objeto.
A palavra poética
é formada
de sons,
de luz, 
de cores
e tons
que brotam 
dela mesma
e invadem 
o ambiente
circundante.
A palavra poética
que pretendemos
presa no papel
onde é grafada,
sorri do poeta
e da fragilidade
de suas cadeias.
Pois mal
a deitamos 
na folha
ela,
aparentemente inerme,
na sua mortalha
natural
de riscos,
deixa, na linha,
apenas o volume
falso
de seu sentido
emprestado.
E sai gritando
verdades
no infinito
das almas.
E cantando 
melodias
inacabadas
e inacabáveis, 
porque eternas.
Quem tem olhos 
de ouvir,
e ouvidos 
de ver
toque
e sinta.
Amém!