domingo, 22 de outubro de 2017

Pelo Salmo 44 - Ascensão



Todos os dias eu me visto de sol...
E trago a lua aos meus pés
Para facilitar a sua jornada de retorno.
Porque todas as vezes que o amor chamar, eu vou.
Sem problemas nem orgulho.
Sob a placidez da superfície,
os redemoinhos revoltos.
Mas preservo os detalhes
Recolho os indícios...
Suplanto a tempestade
E permaneço...
“... à tua direita está a noiva real enfeitada de ouro puro de Ofir.”

Aprendi a atravessar os obstáculos dentro do silêncio.
A lição do silêncio é difícil de aprender
Especialmente quando os gritos sem eco ensurdecem a alma.
E recolho as pontas das vestes que insistem em fazer rastros pelos caminhos
Mantenho o domínio e a posição de estátua.
“À  vossa direita se encontra a rainha com veste esplendente de ouro de Ofir.”

Mas chega a manhã radiante...
Há um brilho dourado no meu céu particular.
E a mensagem de luz corta os céus como flecha.
Atinge o destino com fogo escaldante.
E os redemoinhos se acomodam...
Por enquanto...
Porque as veredas sinuosas estão sempre vivas...
Porque os furacões e tempestades pairam neste universo datado,
Porque a eternidade precisa se acomodar nos dias contados.
Sempre. E sempre.
Eu sei.
Ainda assim entrevejo o dia de glória,
Porque tudo está escrito desde as cinzas ancestrais:
“Esquecei vosso povo e a casa paterna!
Que o Rei se encante com vossa beleza!
Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!”


Vera Lúcia

22/10/2017

Todas as horas...


domingo, 15 de outubro de 2017

Ao Mestre Com Carinho



Alis
Ao mestre com carinho
Marisa Monte


Quero aprender
Sua lição
Que faz tão bem
Pra mim
Agradecer
De coração
Por você ser assim
Legal ter você aqui
Um amigo
Em que eu posso acreditar
Queria tanto te abraçar
Pra alcançar as estrelas
Não vai ser fácil mas se eu te pedir
Você me ensina como descobrir
Qual é o melhor caminho.
Foi com você
Que eu aprendi
A repartir tesouros
Foi com você
Que eu aprendi
A respeitar os outros
Legal ter você aqui
Um amigo em que eu posso acreditar
Queria tanto te abraçar
Pra mostrar pra você que eu não esqueço mais essa lição amigo eu ofereço
Essa canção ao mestre com carinho
Pra mostrar pra você
Que eu não esqueço mais essa lição
Amigo, eu ofereço essa canção
Ao mestre com carinho



sábado, 23 de setembro de 2017

Modinha






Modinha


Olho a rosa na janela
Sonho um sonho pequenino
Se eu pudesse ser menino
Eu roubava essa rosa
E ofertava todo prosa
À primeira namorada
E nesse pouco ou quase nada
Eu dizia o meu amor
(O meu amor)

Olho o sol findando lento
Sonho um sonho de adulto
Minha voz na voz do vento
Indo em busca do teu vulto

E o meu verso em pedaços
Só querendo o teu perdão
Eu me perco nos teus passos
E me encontro na canção

Ai, amor eu vou morrer
Buscando o teu amor
(Eu vou morrer buscando o teu amor)
(Eu vou morrer de muito amor)


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O Amor – por Adélia Prado

“A experiência amorosa exige sacrifício. Não se ama para ser  recompensado. O amor é sua própria recompensa. Não resisto em citar Drummond falando da poesia coisa parecida: “Poesia, o perfume que exalas é tua justificação”. Não há amor fácil, mas todo amor é maravilha, saúde, “remédio contra a loucura”, coisa que Guimarães Rosa ensinou. É a experiência humana mais exigente. Não é contrato, troca de favores, investimento, é entrega  e compromisso.. Do “sacrifício” de amar nasce a mais perfeita alegria. Ninguém faz cara feia quando se sacrifica por amor. Não se trata de anulação, subserviência de quem ama, trata-se da morte do ego, tarefa a ser feita até o último suspiro.”
(Depoimento dado a Revista Lola Magazine – Outubro/10)
(Da peça “Não sobre o Amor”, direção Felipe Hirsch)

Morrerei mil vezes...





Morrerei mil vezes antes da morte final
Sempre pelo mesmo motivo.
E bastará um sinal para que a vida retorne.
Andarei nas brumas,
dormirei nas trevas;
percorrerei caminhos estranhos;
À procura da sua presença...
Mas não saberei de você...
E essa é a maior tortura.

Mergulharei  na cegueira de não poder acompanhar a sua silhueta como guia...
E terei fragmentos de ecos de conversas que me chegarão pelo vento...
E ouvirei ruídos difusos e confusos que me entrarão pelo pensamento...
E viverei outras tantas vidas em busca dos mesmos encontros.
Abrirei veredas nos caminhos ausentes...
E saberei obedecer aos sinais.
E respeitarei docilmente aos comandos.
Mesmo sem querer.

Não, eu não escolhi. Não eu não tenho escolha.
E cada movimento é um sobressalto.
Não posso fazer nada, além de sentir...
Não posso fazer nada, além de pensar...
Não posso fazer nada, além de esperar.
E não há nada que possa mudar.

Existe uma centelha que transcende o corpo e nos move.
E existe nela uma vontade própria que nos impulsiona.
Está além do pensamento.
Está além da razão...
E é tão independente que não se pode aprisionar...
E, incautos que somos, mergulhamos nela e com ela sem sobreaviso.
Ou somos mergulhados...
Enredamo-nos de tal forma que não há possibilidades.
Morrerei mil vezes e não a dominarei...
Morrerei mil vezes sob seu jugo absoluto.
Sem lutar...
Sem me debater...
Porque ela é muito maior.
Eu me curvo.
 (22/08/2017)


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Eu tenho cinco décadas e meia...


 São 5.5! Eu tenho cinco décadas e meia!!!


E hoje, 30 de maio de 2017, eu estou inaugurando o quinquagésimo quinto ano de existência nesta vida. Não sei se já vivi outras e se outras tantas viverei. Sei que nesta eu já tenho um currículo suficiente para me sentir realizada... não, não disse satisfeita, disse realizada.  Há tantas coisas ainda por terminar, tanta gente para agradecer, tanta falta de tempo para muitos sonhos, e uma enormidade de coisas para aprender... e uma curiosidade insaciável de saber. 
Onde foi gestada a minha existência não sei determinar porque vai além do que a física explica; isso eu já sei. Mas podemos começar a recordar pelos tempos dos meus avós? Vieram de Minas pra Goiás no século passado (claro todos os avós são do século passado, inclusive eu!); e chegaram pelas bandas do município de Cachoeira Alta-Goiás, que, claro não era município, apenas um povoado minúsculo... senhor Izoldino Moreira Mendes (Seu Dino) com muitos filhos... a esposa (Clarinda Antônia de Jesus) já havia falecido. Pais da minha mãe... ela, sem mãe, não foi criada junto com os irmãos, por isso tive outros avós também: Mário Marquez e Anéria Furtado Marquez. E outra família também chegou, indo para os lados do Rio Claro, Antônio Alves Irineu (Tonho Izabel) e Geralda Luíza de Jesus (Dona Quita), os pais do meu pai. Alguns anos após, sendo Normalista, mamãe volta para a casa do pai, moça criada e “formada” para lecionar aos outros irmãos, da segunda família constituída pelo meu avô, com a vó Maria Joana de Jesus (também, minha outra avó); e assim ela se transformou num dos mitos da educação no município de Cachoeira Alta. Em muito sendo apoiada pelo senhor Gil Barboza de Freitas, um dos melhores governantes que a nossa terra já teve. Normalista e linda (como a do Nelson Gonçalves) despertou a curiosidade nas moças e muitas paixões nos rapazes... mas a bela professora Terezinha Moreira Alves foi conquistada pelo simpático moço moreno das terras das cabeceiras, Valdemar Alves Izabel.
E assim começava uma família de seis filhos que os dois souberam conduzir responsavelmente até o fim das suas vidas. Com muito amor, pouco dinheiro e boa disposição para o trabalho. As famílias de onde vieram são grandes com muitos familiares. Por isso, Cachoeira Alta é terra de muitos Mendes e muitos Izabel, assim como parte de Minas Gerais... para não cometer injustiças ou enganos, nem vou nomear os parentes porque tive e tenho muitos tios e tias, primos a perder a conta e acabarei esquecendo alguns e não nomeando outros que ainda nem conheço,
Voltemos à casa Valdemar/Terezinha: Seu Neguinho Izabel e dona Terezinha Professora viveram sempre nas imediações de Cachoeira Alta-Goiás. E eu nasci ali... na fazenda Cabeceira Seca, dos meus avós paternos... meu reino encantado. Sou a mais velha de seis irmãos/ãs: Warlene Alves Mendes, Joana Dalva Alves Mendes, Mário Lúcio Alves Mendes, Paulo Sérgio Alves Mendes e Gilka Alves Mendes. Posso dizer que herdamos dos nossos pais a disposição para trabalho e a certeza de que para se conquistar o que se deseja o que conta é mesmo o nosso esforço pessoal. E, da mamãe, especialmente, a certeza de que a Educação é a única forma de ser melhor e conquistar o nosso espaço. Fui alfabetizada na escola da roça, por ela...
Comecei a minha vida profissional sendo babá do Paulo e da Gilka (irmãos rs). Mas também fui babá dos filhos do então prefeito, senhor Gil Barboza de Freitas com a Doutora Ivone (Gil Filho e irmãs); balconista da loja Flor do Ambirá (do senhor Ronei); assistente de alfabetização na escola da professora Táide Moura; secretária na Casa de Carnes Gaúcha de dona Sânzia; e depois auxiliar de secretaria na Escola Estadual Jacy Paraguassú. Ao concluir o Ensino Médio, com o aval da professora Geralda Marques comecei a trabalhar como professora de Português, substituta no Jacy Paraguassú, que depois virou colégio. O mesmo onde fiz o Ensino Fundamental. Ali também conheci o dono da minha vida, meu companheiro no consórcio mais eficiente desta empresa chamada família: Júlio Paganini Filho!
Comecei o trabalho de professora com carteira assinada pelo Governo do Estado de Goiás em 01/03/1981. Em 1984 passamos a ser professores estatutários. Desde 15/05/2015 componho o grupo dos professores aposentados pela Secretaria de Estado da Educação. Considero a construção de uma carreira. A consolidação de uma profissão de sucesso. Nunca “estive” professora em lugar nenhum. Sempre fui e sou professora. É a minha profissão e nela procuro construir a carreira profissional. No ano de 1999, concluída a graduação em Letras, tive a honra de ser professora substituta, de Literatura, na UFG-Jataí onde estudei. Sob o aval da professora Sisterolli. Minhas continências! A partir do ano 2000 sou professora da UEG! Concursada desde 2004 e com intenções de continuar. Até 2010 em Jussara e atualmente em Inhumas.
Aos 20 anos dei o primeiro passo para o nosso consórcio de sucesso. O Júlio e eu nos casamos no dia 25/12/1982 e desde então ostentei com honra e responsabilidade também o nome Paganini. Em 23/12/1983 fomos agraciados com o primeiro prêmio: Júlio Paganini Netto. E em 21/09/1985 a premiação foi dupla: as lindas gêmeas Junelle e Junyce... Assim caminhamos, sempre com motivos para nos orgulhar dos três... e, mais recentemente, a alegria se ampliou com a chegada do Davi e da Júlia... e a agregação da Karina, do Sílvio e do Thiago. Todos esses acontecimentos foram moldando a minha existência e enchendo de aprendizados o meu coração. Tantos motivos para comemorar e agradecer. São cinco décadas e meia de aprendizagens, alegrias (muitas), tristezas (poucas) e vida.
Vivo intensamente porque me atiro às experiências e sinto-as na carne, visceralmente. Não sei sentir pela metade. Quando a vida vai ficando morna os ventos me sacodem. Os marcos e as marcas vão se registrando no corpo e na alma. O de 2008, por exemplo, foi um ano atípico. Tornei-me mestre em Literatura... na Faculdade de Letras da UFG. E me apaixonei... quase uma década já se passou... e existem sentimentos e sensações que parecem ter vindo de outras vidas e serão levados para quantas outras eu viver... estou me tornando doutora... em Educação... muitas marcas para recordar especialmente da Faculdade de Educação. Da livraria, da biblioteca, das disciplinas, dentro e fora das aulas... coisas que me encantam, me ensinam, me prendem e me trazem experiência.
Quanto mais vivo, mais entendo que a família é o nosso suporte e as escolhas que fazemos sempre têm o objetivo de mantê-la em harmonia. E nesta empresa, meu companheiro de todas as jornadas e o esteio para todos os acionistas é o nosso Júlio Paganini particular, que está sempre a postos. Todos os motivos para agradecer o seu apoio e responsabilidade incondicional na Presidência da empresa e por fazer dela um sucesso. Se ele não estivesse sempre aqui a vida teria sido mais difícil. E agradecer aos outros acionistas (os de casa, filhos genros e nora) aos associados (todos os familiares) irmãos, irmãs, cunhados/as, sobrinhos/as; aos parentes (primos/as tios/as, avós e toda a equipe por sangue ou por afinidade) e aos amigos! Ah, os amigos e amigas que construí ao longo da vida são imprescindíveis e incontáveis! A todos/as a minha alegria e felicidade de conviver.  Por isso eu quero comemorar com leveza os meus 55 bem vividos. E que venham outros 55! Quem sabe se em pelo menos mais meio século possam caber as minhas aspirações, ansiedades a minha vontade de aprender!

Vera Lúcia Alves Mendes Paganini

30/05/2017

Estações

A imagem pode conter: flor e texto


Primeiro presente poema deste aniversário de 55!!!
ESTAÇÕES
(“Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para ficar e motivos para voltar” – Dalai Lama).
Há quem nasça na primavera de um verão qualquer,
Ou se entregue a um outono sombrio e sem cor,
Ou que ainda se instale à meia noite no inverno doído.
Estando angustiado pelo deserto do sofrimento amoroso,
Ou pelo amor dito eterno, não fuja de seu destino.
Não se distraia com o raio do luar,
Nem tome sobre si a triste brisa do tempo.
Na vida tudo acaba, são apenas quatro estações!
A primavera perfuma o ar, floresce e regenera,
Mas é no outono que as folhas caem
Para depois brotarem, ciclo absoluto, imutável!
Se há um sol causticante no verão
É no inverno que a semente se prepara.
Tudo muda, segue seu rumo calmamente.
Até a vida, efêmera e sutil, tem um fim predestinado.
Na melhor das hipóteses partiremos ao final
E o amor irá calado para o túmulo, sem mortalha.
Na lápide fria não ficará seu registro insignificante.
Nunca perdemos nada e associamos a dor à perda.
Nada há de almas gêmeas que um verão não separe,
Nem que um inverno rigoroso não ajunte.
Não há felicidade no outono para quem varre as folhas,
(As flores já ficaram sob um tapete mágico, abandonadas),
Não ouse ouvir o canto dos pássaros na primavera.
Amar é uma herança maldita, uma construção sem rumo!
Inimaginável procurar a sua felicidade na vida do outro.
Possessividade translúcida, absurda, cruel e autodestrutiva.
Então quanto mais amamos mais sofremos?
Não há derrota no amor, nem no findar dele,
Na verdade é água corrente no regato da vida, nada mais!

Rui França, 29/05/2017
(Para a amiga Professora Vera Lúcia, pelo seu aniversário amanhã. 
Esta é merecedora de respeito e digna de admiração).

terça-feira, 23 de maio de 2017

Amo...



Amo...

Amo seu abraço quente e os seus braços fortes.
Se me envolvem sem aviso eu me dissolvo confiante.
Amo os seus olhos e me perco em seu olhar apaixonado.
Amo suas mãos! Ah eu amo!
Por elas começa a minha alegria!
Gosto de vê-las se movendo em gestos que conversam...
Gosto de senti-las nos meus ombros como manto protetor e me abrigo quieta.
Gosto de tocá-las e deixar que as minhas sejam pequenos pássaros agasalhados neste abrigo sólido.
Amo me fundir ao seu peito largo e ouvir silêncios... no pulsar vital do seu coração, dispara o meu...
Amo recostar a sua cabeça ao meu colo e pensar que neste momento o universo somos nós...
Amo estar com você sabendo que cada momento pode ser o último mas disfarçando trivialidades...
Amo ouvir seu chamado seja quando e onde for...
Amo a espera e a saudade porque elas não me afastam de você...
Amo a sua incompetência em traçar metas e a minha incapacidade de cumprir o que planejo quando se trata de nós...
E amo essa total incapacidade de deixar de amar você.

(22/05/2017)

segunda-feira, 8 de maio de 2017

SÓ BASTOU UM SORRISO...









Só bastou um sorriso, olhar sereno,
Desses que invadem mansamente tudo,
Para eu saber que mesmo estando mudo
Me declarara a ti, de modo pleno.
Entreguei-me, toquei-me e não condeno
Meu pobre coração, pois não me iludo:
Senti o teu olhar como um veludo
A agasalhar meu corpo do sereno.
E dali para cá meu pensamento
Ficou pousado em ti, meu doce alento,
Sonhando receber o teu agrado.
Nada disseste, mas as nossas almas
Se declararam, puras, alvas, calmas,
E eu tive a sensação de ser amado!

Getulio Targino Lima

Um dos sonetos mais lindos que já li!
(08/05/2017)

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Em imagem




A imagem me chama e eu mergulho...
Há um universo contido ali...
Eu vejo os olhos, através dos óculos.
E eu mergulho neles... sem fim... sem ar...
A imagem me veio de presente.
Há um universo de sentidos nela.
E outro universo evocado...
A imagem me veio de surpresa...
Deliciosa surpresa!
Pode-se morrer por falta de amor.
Mas o excesso também mata.
Sofro de excessos...
Volto à imagem e me imagino ali...
Mergulho em retornos inevitáveis...
“Vou-me embora pra Pasárgada”...
Não! Continuo com Menphis...
E os seus mistérios,
E os seus segredos,
Os seus oásis mais procurados.
As suas sensações inesquecíveis.
E as areias do tempo transcorrendo sem fim.
Eu só tenho a imagem... volto a ela...
Os olhos veem através de mim...
E eu vejo muito além dos olhos...
Em tempos passados,
em tempos vindouros,
em dias sem fim...
mergulhada no que a imagem não revela.
(Vera Lúcia, 16/04/2017)

A Palavra Poética


(Doutor Getúlio Targino Lima)

A palavra poética
pontifica, 
prioritariamente,
como símbolo
de si mesma,
de seu eu,
sua substância viva,
embora
traduza
os contornos externos
de algum objeto.
A palavra poética
é formada
de sons,
de luz, 
de cores
e tons
que brotam 
dela mesma
e invadem 
o ambiente
circundante.
A palavra poética
que pretendemos
presa no papel
onde é grafada,
sorri do poeta
e da fragilidade
de suas cadeias.
Pois mal
a deitamos 
na folha
ela,
aparentemente inerme,
na sua mortalha
natural
de riscos,
deixa, na linha,
apenas o volume
falso
de seu sentido
emprestado.
E sai gritando
verdades
no infinito
das almas.
E cantando 
melodias
inacabadas
e inacabáveis, 
porque eternas.
Quem tem olhos 
de ouvir,
e ouvidos 
de ver
toque
e sinta.
Amém!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Eternamente...


Todas as minhas vidas, 

as que já foram e as que virão, 

passam inevitavelmente por você

Vera Lúcia
( 18/02/2017)

Manhãs



Me encanta quando,
Na manhã
De Primavera,
Tua presença,
Traz alegria,
E suavidade à vida.
Alseídes,
Ninfa das flores!

Me encanta ainda mais
O carmim de teus
Lábios
Que emoldura
Um sorriso,
Que irradia luz...
Perséfone...
Afrodite...
Olhar de Atena.

Essa manhã
Torna
O dia perfeito,
Como teu sorriso...
Que encanta...

(Poeta Paulo Rolim)

Tecelão de saudade



A vida nos faz tecelões.....

TECELÃO DE SAUDADE

Getulio Targino Lima
Sonhei que me alcançavas num caminho
Onde andava, curtindo solidão...
E me davas a mão do teu carinho.
Em meio a alienada multidão.
Sonhei que no jardim só via espinho,
Mas me davas as flores da razão;
E, mesmo caminhando em desalinho,
Me mostravas “ os tempos que virão”.
Sonhei que o beijo teu, terno e suave,
Retirava de mim qualquer entrave
E me abria do céu a claridade.
Mas acordei e vi, sem qualquer pejo,
Que eu sou, embora tudo que desejo,
Um mero tecelão desta saudade...
Do Livro Borboleta Azul

Precaução

A imagem pode conter: texto

sábado, 4 de março de 2017

Inércia e movimento


Não conhecemos a inércia de um amor pacífico.
Navegamos sempre na tempestade de dias revoltos e noites tenebrosas de uma paixão insana.
Há dias cinzentos, quietos de falsa placidez, em que as tempestades vão se formando...
Especialmente se você desaparece...
A minha turbulência tem explosões internas catastróficas.
A superfície serena abriga crateras insondáveis de desespero.
Infindáveis, memoráveis...
Há dias luminosos, cegantes de tanta luz.
Basta o seu reflexo no horizonte; uma palavra, um gesto, um som faz claridade.
Mas estas sinapses vão se tornando mais escassas...
E retornam os dias de tempestade... tão frequentes, tão comuns...
Eu até prefiro esses... pelo menos trazem o estrondo da sua presença...
E não há tréguas, porque os dias inertes nunca foram de paz.
E há um sentimento abrasador que não arrefece...
As idas e vindas dos nossos desejos são como as marés. Não as marés calmas...
Mas aquelas forjadas nos maremotos...
Quando chegam arrasam o que alcançam.
Quando se vão levam tudo... em destroços!

Rodopiar nesses redemoinhos não é uma escolha.
Todos os dias a tempestade se forma ao anoitecer, enreda-me nas malhas do tempo, e, sem tempo, vou sendo levada, até ancorar em sono revolto, sem sonhos, povoado de escuridão.
Todos os dias abro os olhos, na madrugada, e entro na ciranda macabra de contar os dias infortunados da sua ausência...
Há um movimento sísmico de tremores internos e temores externos que me empurram eficazmente na direção do dever cumprido, das responsabilidades realizadas, das tarefas terminadas e das normalidades exigidas diuturnamente.
 Entretanto tudo termina no fim da tarde...
e vem a noite, com ela todos os retornos, menos o seu! Assim não há inércia no sismógrafo.


Vera Lúcia Alves Mendes Paganini (04/03/2017)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

El encuentro

(De Nabokov para Vera... e nem era eu...)


Encantado por esta extraña proximidad
Extrañeza, misterio y delicia…
como si de la negrura oscilante
de alguna mascarada en cámara lenta
por el tenue puente vinieras.
Y la noche fluía, y el silencio flotaba
en sus arroyos satinados
ese perfil de lobo en la negra máscara
y esos tiernos labios tuyos.
Y bajo el castaño, por el canal
pasaste tu anzuelo de reojo.
¿Qué comprendió mi corazón en ti,
cómo me moviste de esta forma?
En tu ternura momentánea
o en el contorno oscilante de tus hombros,
¿advertí un bosquejo pálido
de otros — irrevocables— encuentros?
¿Acaso una romántica piedad
te llevó a entender
lo que dejara temblando a esa flecha
que ahora se incrusta en mis palabras?
No sé nada. Curiosamente
el verso vibra, y en él, la flecha…
¿Tal vez tú, todavía sin nombre, eras
la genuina, la esperada?
Pero no bien apareció el dolor
logró perturbar nuestra hora estrellada.
Regresó a la noche la fisura gemela
de tus ojos, ojos sin alumbrar.
¿Por cuánto? ¿Por siempre? Por lo pronto
sigo andando, queriendo escuchar
la revolución de estrellas sobre nuestro encuentro
por si tú ya fueras mi destino…
Extrañeza, misterio y delicia,
como de una súplica distante.
Mi corazón debe seguir andando.
Excepto si tú ya fueras mi destino…

(Nabokov)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Almas que se encontram...



... e os dois se amaram como adolescentes...
com tudo que uma paixão pode despertar.
Com flores e chocolates,
Com poemas e canções.
Com ciúmes e contendas.
Com juras eternas de amor eterno.
Com sentimento.
Com entrega.
Com pequenas loucuras, de gente comum, presa nos liames do cotidiano.
Com doces intervalos de oásis na aridez da vida diária.
Com cartinhas de amor no guardanapo.
Com recadinhos deixados em nichos inesperados,

E aquela vida que era assim, meio morna, se acendeu.
E o sangue fluiu pelas veias na pulsação do tempo e na frequência da luz.
E todas as obrigações foram realizadas com outro humor.
E os momentos eram intercalados pela tensão deliciosa de saber encontros inesperados.
E sempre pareceu que as chegadas eram retornos de outras vidas.
E sempre pareceu que as partidas eram apenas preparações para outros retornos.
E ainda parece que o hiato se fez apenas aqui, neste mundo.
E, sendo hiato, não terá forças para quebrar o encanto.

Porque as almas são eternas,
e, nos intervalos do tempo, vão se encontrando ou se desencontrando.
Às vezes se distanciam...
Às vezes se fundem...
Mas nunca se perdem.
Porque a aliança já foi combinada nos ecos da eternidade.

(Vera Lúcia - 30/01/2017)


sábado, 28 de janeiro de 2017

Não se iluda...









Não se iluda, vida boa é vida bélica! É vida com paixão, quando você enfrenta as discussões, argumenta nos debates, retruca apaixonadamente ao argumento do outro, estuda porque gosta de aprender. Vai em busca do aprendizado porque É IMPORTANTE saber! É curioso(a), inquieto(a). às vezes tem insatisfação. Come manga com casca, deixa o caldo da melancia escorrer pelos dedos, aposta quem pode mais, disputa corridas (a pé, a cavalo, de bicicleta, de carrinho de rolimã, no remo, no braço...), ri alto, faz zoada com os amigos, conta piadas e ri das piadas alheias, mesmo que sejam muito bestas... Isso é vida! Agora quando você começa a dizer: - Não... fiquei em paz, estou em paz, estou deixando as coisas pra lá. Não vale a pena remar contra a maré. Mentira! Isso não é paz, isso é cansaço... é desilusão, é deixar de enfrentar as corredeiras das águas e a corrida da vida porque não vale a pena mais. Isso é estar desapaixonado(a). E uma vida desapaixonada não é boa. Pode ser calma, sossegada, tranquila. Mas não é boa, nem é de paz. Vá por mim!!!  (Vera Lúcia – 26/01/2017)

Hai kai dos desencontros amorosos









HAI KAI DOS DESENCONTROS AMOROSOS


ELE: - NÃO GOSTO DE SER PRESSIONADO!
ELA: - NÃO GOSTO DE SER PRETERIDA!
FIM DE PAPO!