sábado, 14 de julho de 2018

Impacto...








O grande meteoro
CAUSOU um grande impacto na terra
com a extinção dos dinossauros no passado,
 mas estará presente pelo resto da vida na terra.

Você não pode imaginar
o impacto que você causou na minha vida

JR/CB

sábado, 7 de julho de 2018

Como um mantra...





Impossível te deixar...
És a minha Cachoeira Alta.
És para mim:
As colinas do Líbano de Gibran,
O Tejo de Fernando Pessoa,
O mar de Camões,
De Saramago, a Azinhaga...
A Itabira de Drummond e
A Pasárgada de Bandeira...
A brisa de vida da minha vida.

(Vera Lúcia. 08/03/2017)

O que amamos está sempre longe de nós




O que amamos está sempre longe de nós:
e longe mesmo do que amamos – que não sabe
de onde vem, aonde vai nosso impulso de amor.
O que amamos está como a flor na semente,
entendido com medo e inquietude, talvez
só para em nossa morte estar durando sempre.
Como as ervas do chão, como as ondas do mar,
os acasos se vão cumprindo e vão cessando.
Mas, sem acaso, o amor límpido e exato jaz.
Não necessita nada o que em si tudo ordena:
cuja tristeza unicamente pode ser
o equívoco do tempo, os jogos da cegueira
com setas negras na escuridão.

– Cecília Meireles, no livro “Solombra”. 1963.
§ porque hoje eu estou tão triste...

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Folha em branco





De frente para uma folha branca...
Eu penso em cartas de amor.
E tenho um desassossego...
Então me lembro de Mia Couto:
“Que o amor acontece
para a gente desacontecer.”

Todas as coisas arrumadinhas
Vão perdendo o prumo...
E volto a desacontecer...
E penso outra vez por quê...

Alma presa na branca folha,
Folha branca de nulas dores...
Uma sede de palavras, mas
Não as minhas...
De outras que já não vêm.

E Mia Couto  responde,
Explicando o meu silêncio e o
Outro, aquele silêncio
que faz desacontecer.
“Diz-se que o silêncio inspira medo
porque, nesse vazio, ninguém é dono de nada.”
E não sou dona da minha vontade.

E o branco da folha, vazio
Não ajuda. Só desarma.
Pequenas frases ditas de amor,
Não fazem cartas de amor...
E é das cartas que eu preciso.

Teimosias insensatas...
Diz a lógica e a razão.
Mas quem disse e foi verdade
Que a paixão é sensatez?
De frente pra folha branca...
Espero tantas palavras...
Aquelas que me governam.

(Vera Lúcia 20/06/2018)

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Do tempo...




E foi ficando lasso, baço, insosso...
E tudo voltando ao de antes
que já foi e eu já sei...
É que fazia tanto tempo.
O que se faz em dez anos?

Dez anos se vive em um minuto!
Mas também pode ser uma vida inteira.
E uma infindável ansiedade de espera...
Que junta as pontas do tempo.

Foi ali, no dobrar da esquina
de um caminho torto,
A surpresa, o encanto. Depois...
Flores e chocolates,
palavras e mais palavras...
O tempo sempre imensurável.
A vontade sempre infindável.
O sentimento indefinível...

Tinha dias de muitas horas,
tinha dias só de minutos...
E já houve tempo em que o tempo parou.
E tempos desabalados...
E momentos que valeram o tempo...
E tempos que deveriam ser esquecidos...

Mas chegam tempos de fumaça e cinza...
Que vão nublando o horizonte...
E aquelas tempestades coloridas...
Enfumaçando-se e esfumaçando.

E esta é a ação do tempo
Em que o para-sempre termina
Naquela ausência de palavras.
Na ausência da luz nos olhos...
E na ausência de cores no sorriso.

E tudo ficando lasso, baço, insosso
Com riscos do mesmo traço,
Que já tinha sido traçado
Sem nenhuma precisão.

 E aquela busca insana
que nunca foi buscada...
Que sempre foi desejada,
a surpresa do inesperado,
a ansiedade do novo de toda manhã
vai se perdendo na rotina.

(Vera, 10/06/2018)