domingo, 5 de janeiro de 2025

Silêncios

 



Não, eu não pedirei que me ame.
No momento mesmo em que eu pedir,
Já não será mais amor. É obrigação!
Não, eu não sei catequizar
Nem convencer. Só sei sentir.
Espontaneamente.
Eu não te conheci para cultivar silêncios
Eu tenho todas as chaves, mas não posso abrir suas portas.
Foram-me interditadas.
Por que tirar a minha paz?
(sinto que fiquei do lado de fora dos acontecimentos)
Acaso eu consigo tirar a sua?
Não é justo para o meu coração.
Não é justo se fechar em conchas. Como esfinge.
Se for assim, melhor que desista.
Eu não quero aceitar os seus termos.
Amor em gavetas é o que eu não preciso.
Sentimento medido é o que eu não pedi.
Sem asas o brilho se apaga,
Com cercas eu não sei lidar.
Celas e fechaduras eu sempre tive.
Silêncios também.
(Vera Lúcia, 04/01/2025)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

As Sem-Razões do Amor

 





Esse Carlos Drummond...


As Sem-Razões do Amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

    

(04/12/2024)

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Coisas que deveria saber sobre mim


 

Em primeiro lugar, não me mande!

Não tente mandar em mim.
Eu sou chucra, turrona e não gosto de obedecer.
Mas eu obedeço.
Aprendi com o tempo que sim senhor, não senhor abre portas.
Mas obedeço arreliando e não esqueço.
Passo os dias e cumpro as tarefas pirraçando.
 
Em segundo lugar, não queira conhecer a minha pirraça.
Ela pode passar logo. Sou boa em sublimar.
Mas precisa ser ruminada e cuspida.
Se demorar cuspir, demoro sarar.
Eu infestada de pirraça sou uma peste.
 
Em terceiro lugar, não queira conhecer a peste que sou.
Sou dada a querer me vingar.
Não mato, não odeio. Só desprezo.
Mas só depois da vingança.
E gosto da expressão: eu avisei!
 
Em quarto lugar, sou de um bom humor insuportável.
Com a vingança, inclusive.
Mas não aprendi matar. Nem barata.
Faço tudo me divertindo.
E pirraçando. Mas sou ótima companhia.
Disfarço bem.  Depois desprezo.
E saio do teatro.
Catarse!
 
Conclusão: Não sou boa de laço, nem de sela.
O verniz que me passaram esboroou com o tempo.
Sou burro de carga até virar o arreio pra barriga.
Eu não presto, mas tenho lealdade.
Sou resiliente e cordata.
Tenho paciência.
Até a corda arrebentar!
 
Vera Lúcia - 03/12/2024

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Cegueira

 






A experiência amorosa exige sacrifícios.
Não se ama pra ser recompensado.
O amor é a própria recompensa.
O amor é a morte do ego.

(Adélia Prado)


Há um ruído absurdo no silâncio forçado

Há uma teimosia inconformada nos planejamentos unilaterais

Há uma violência terrível no corte do entusiasmo.

E há uma irracionalidade desmedida na paixão.


Compensa?

Vera Lúcia - 02/12/2024




terça-feira, 19 de novembro de 2024

Poeta



Não sou poeta, mas te amo com fervor, Em cada verso desajeitado, expresso meu amor.

É a mulher que inspira meu amor, A razão pela qual aprendi a sorrir. E amar

CB
 

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Desejo sem nome

 


   Criamos um mundo só nosso, secreto,

Um refúgio onde o tempo não nos espreita.

Nos toques furtivos, por entre calçadas,

Somos brisa que foge, um desejo sem nome.

 

Pelas ruas, disfarçamos nossos passos,

Cada encontro um risco, um suspiro guardado.

Nos olhares roubados, a paixão clandestina,

Queima como sol na pele da rotina.

 

E lá na PMT nosso paraíso esquecido,

Entre o aço e o vento, somos livres,

O asfalto nos conhece, testemunha muda,

Do amor que ousamos, sem medo, sem culpa.

 

Te amo entre sombras, em cada fuga e volta,

Nosso mundo paralelo, onde ninguém nos alcança.

Nas terças-feiras, seremos eternos,

Pois só aqui, nos pertencemos por completo.

CB - 22/10/2024