sexta-feira, 17 de abril de 2020

ESPERANÇA





Dizem da esperança
A última que morre
Espero
Não tenho pressa
O amor
O meu por você
Eterno
Para sempre
Sempre
Tudo vai recomeçar
Venha, meu coração está com pressa
Inverno? Não!
Venha Primavera
O futuro?
Recomeça!

CB
17/04/2020


terça-feira, 3 de março de 2020

Quando chegam os ventos do Norte...






Há uma brisa gelada envolvendo minha alma
E mãos de gelo apertando o meu coração.
Há um grito de neve preso à minha garganta.
E um vendaval de granizo fustigando os meus desejos.

Um desespero negro me paralisa.
Uma dor inominável transforma-me em estátua.
Hoje é um dia em que a areia movediça me chama,
Desço um abismo interminável
e não encontro saída...

Eu sei onde quero ir
Eu sei onde deveria estar
Eu sei o grito que não será emitido
Só não sei sair desse abismo.
O meu peito queima.

Eu espero um toque, um vestígio, uma voz...
Eu espero um movimento único no tabuleiro...
Mas as peças continuam em seus nichos...
E o destino congelado é o que o tempo me reserva.

Eu aguardo um sinal... mas não vem...
Um fogo devastador incendeia as minhas entranhas...
Mas não derrete o gelo. Só avoluma a insuportável dor.
Por fora o mundo se desenvolve, normalmente.
Por dentro vou desmoronando pouco a pouco.

“Nem fiquei triste, porque acabei de receber uma notícia que supera todas
Mas a notícia não chegou a mim...
As notícias não chegam...
E eu vou morrendo um dia de cada vez no escuro.
E morro ainda mais por saber que já foi a minha vida...
E é a minha vida que se escoa lentamente...

E acontece, paulatinamente...
Desde o momento em que deixei o vento do Norte chegar...
Trazendo os seus vendavais...
Desmanchando o meu cabelo,
Embaralhando as ideias,
Desconcertando as vontades,
Explodindo os meus desejos...

(Vera Lúcia, 03/03/2020)

domingo, 1 de março de 2020

Transitório...







Dizem que a vida começa aos 40
Mas eu digo data e hora!
Dizem que a paixão não tem idade.
Mas eu digo ano e página!
Talvez aos 46!
Agora para findar,
Atrasa o dia, e a hora,
o destino, e o lugar!

Pra chegar é imprevisível!
Pode ser a qualquer hora...
Até sábado de manhã...
Numa tela irreverente
De uma rede social!

Mas depois pra ir embora?
Faz volteios e arrufos...
Deixa a vítima ao relento
das tempestades umbrais...
Danifica a autoestima...
Estraçalha o amor próprio
da alma que encantou,
sem dar alento, jamais!

... que o amor cura feridas...
Mas paixão abre crateras...
A terapia do abraço:
- Um abraço cura males...
Sem abraço, o precipício...
... que o sorriso adoça a alma...
Mas quando aparece a máscara,
Ou os esgares forçados...
dilacera e catalisa...

Porque o amor é eterno.
A paixão é transitória,
volátil e comburente...
Se o que queima é pavio,
Menos mal, sucumbe à chama...
Mas se é hulha ou rochedo...
Infeliz é o coração,
Que se queda condenado...

Vai-se a chama fica a brasa
Ardendo o inferno sem fim...
Não há vento, brisa ou água
Que desfaça esse vulcão...

E o coração ardente...
Vai aos poucos conhecendo
O que os poetas já sabem
Que é o inferno transitório
De queimar na eternidade!

(Vera Lúcia  - 20/02/2020)




Anseios







Anseios Hoje anseio por teu rosto como a lua pela noite, pelo amor que foi deposto, que partiu deixando o gosto da aventura e do açoite. (César Fontana)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Uma flor no mármore



Uma flor no mármore

Apenas uma crônica cotidiana...

Nasceu no mármore do piso.
Uma flor!
A mãe sem poder fazer nada.
Curiosos e solidários socorrendo.
E o tempo do socorro imóvel.

Uma menina nasceu, no mármore frio
da entrada da maternidade...
Sim! Na recepção da maternidade...
A mãe veio em busca da mãe que não poderia entrar.
Depois da entrada interna,
A mãe da mãe não vai...
Terá que ir sozinha, ser mãe...

Foi atendida na triagem:
- Preciso falar com a minha mãe!
- Só se for na recepção!
Volta a mãe em busca da mãe...
Avisá-la de que não poderá entrar...
Três mulheres no desamparo.

A pequena que ainda nem viu a luz
deste mundo, precisa saber moderar...
verá a avó só na recepção...
resolve encurtar o problema...
a bolsa estoura, o povo grita,
e ela nasce!
O fim do trajeto é o mármore.

Curiosos, assustados, os presentes gritam:
- Socorro! Ajuda! Alguém, gente!!!
O segurança da porta, no seu papel de segurança,
Segura a mãe. Alguém segura a criança.
Tira do solo de mármore,
Traz para o colo materno.

Aí então vem maca, enfermeira, ajuda!
Ajudar em quê? Para quê?
Repare no detalhe: três mulheres desamparadas.
Condição: pobres, necessitadas do serviço público...
(De que têm todo direito!)
Cor da pele: negra. Isso faz diferença?
Rá! Você não fez esta pergunta!

As duas? Passam bem!
A avó? Cuidando. Nem foi quem fez a denúncia...
Ela conhece os caminhos...
Ela trilha estas veredas TODOS os dias...
A mãe? Falou de constrangimento,
Falou de privacidade...
Mas falou das alegrias de ser mãe...

Mas falou tudo isso...
Com a cara e a coragem...
Porque estava no jornal!
Foi matéria de notícia,
Da curiosidade popular.
A florzinha? Chora e mama
Sem saber como será!

Vera Lúcia – 05/12/2019
(Maternidade Dona Íris - Goiânia)




Hai kai feminista.












Queremos direitos iguais!

Porque deveres, nós já sabemos, vem escrito na bula,

São muito mais!!!

(Vera Lúcia - 05/12/2019)

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Ausente

AUSENTE Madrugada de primavera Se foi E a estrela última Não veio Impedida por nuvens De chuva leve Que teima em cair Suave, terna, calma. Daqui Desde que A madrugada era presente Procuro teu sorriso. Mas minha busca É em vão... Nem em flores Versos Ou canções Consigo encontrar... Madrugada se foi, A luz do dia se faz presente, Em manhã de primavera, Porém Sem sol e Sem teu sorriso Que é luz Que orienta Caminhos E torna claro Meu dia.

PR